País que passa a presidência do G20 para o Brasil conta com a boa vontade dos EUA e da Europa para ofuscar a preponderância chinesa
Local da reunião do G20 em Nova Déli: em menos de uma década, Índia passou de 10ª para 5ª maior economia global — Foto: Prakash Singh/Bloomberg
A aprovação de 70%, medida pela empresa britânica Morning Consult, é comumente usada para atestar a condição de Modi como líder mais popular do mundo. O crescimento, que faz do país a quinta economia do mundo e o projeta como a terceira em 2030, não é a única razão. A comparação com a China é onipresente. Em “Backstage: the story behind India’s growth years” , o ex-ministro das Finanças Montek Singh Ahluwalia, ao recordar os bastidores das reformas liberalizantes do país, confessa, com inveja, a dificuldade de a Índia repetir a estratégia chinesa de atrair de volta os cérebros universitários da diáspora.
O avanço tecnológico permitiu à Índia desbravar uma lua ainda desconhecida, projetar-se na economia mundial e dormir em Downing Street. Por isso, parece inacreditável que no ingresso de um dos monumentos mais visitados do país, a tumba de Humayun, nenhum meio eletrônico de pagamento seja aceito.
A geração de emprego é um desafio para o crescimento do PIB per capita, hoje em US$ 2,3 mil, o mais baixo do G20 - o do Brasil foi de US$ 8,9 mil em 2022. Apenas 3% dos indianos pagam imposto de renda. Ao contrário do Brasil, porém, a Índia tem uma ampla janela de bônus demográfico pela frente, desde que arrume emprego para tanta gente. Mais da metade da população indiana, onde cabe sete vezes o Brasil, tem menos de 30 anos.
É isto que explica umas das dificuldades das relações comerciais entre Índia e Brasil. O protecionismo indiano de que o produtor brasileiro tanto se queixa vem, em grande parte, da necessidade de gerar emprego para a população rural. O Brasil também exporta frango, ainda que o mercado seja atravancado pela preferência indiana pelo bicho vivo, desafio para os dois meses de viagem dos cargueiros, e tem tentado aumentar o fornecimento de “pulses”, nome dado ao mercado de feijões, lentilhas, grão de bico e gergelim.
A guerra civil em Miamar e a decisão dos chineses de não mais exportar feijão abriu uma porta para o Brasil. Em todo mundo, as importações de “pulses”, são pagas no destino. Por isso quando um produtor do Centro-Oeste recebeu o pedido de 90 contêineres de feijão mungo, variedade verde e pequena, não hesitou em colocar a carga na rota das Índias.
Hoje em 10%, a mistura chegará a 20% em 2025, cinco anos antes do previsto. A cooperação, que envolve o Itamaraty e a entidade dos produtores de cana-de-açúcar, a Unica, também evoluiu para as montadoras de automóveis, com um acordo para a Toyota replicar, na Índia, a produção do motor híbrido flex, movido a eletricidade, gasolina ou etanol, que foi produzido, pela primeira vez, no Brasil.
Nem tudo é lavoura na relação bilateral. A WEG faz caixas eletrônicos no país e a Taurus fechou negócio com uma empresa indiana para montar uma fábrica. O que há de tecnologicamente mais avançado na parceria deriva do clube de detentores de submarinos franceses do qual Brasil e Índia fazem parte.
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